segunda-feira, 22 de novembro de 2010

W.C.

Samantha acordou muito cedo naquele sábado. Na verdade nem havia dormido. Esperava há séculos por esse momento ou a vida toda. Tá certo, para uma menina de quatorze anos, seis meses era mesmo a vida toda. Seis meses. Lembrava cada detalhe do rosto de seu amado ídolo. Sabia tudo sobre ele. Bem, tudo que interessava ,óbvio, como signo, comida preferida, cor preferida, roupa preferida, tipo de mulher preferida,essas coisas tãããão imprescindíveis de se saber sobre quem se ama. Havia comprado todas as revistas onde ele aparecia e na parede do seu quarto fora a janela não havia mais espaço para tantos posters. Ele na praia, ele no carro, ele nos shows, ele ele ele ele..
Quando a rádio Asterix FM lançou a promoção ficou o dia todo O DIA TODO eu disse ligando para lá. A fã que acertasse a mais perguntas sobre o artista passaria quinze minutos com ele na saleta do hotel destinada a imprensa. QUINZE MINUTOS!!!! Não era o máximo?? Quinze minutos podendo olhar aquela visão dos deuses aquele homem perfeito cheiroso maravilhoso!!!! Tudo nele era superior a qualquer homem que habitasse o planeta terra. Tá tá bom ela não tinha muita experiência em homens digamos que havia namorado dois..Bem o João Luis não conta eles tinham só 8 anos..Então só tinha namorado o Celso mesmo mas ele e seus jogos de basquete haviam acabado com o romantismo. E depois aquela péssima mania de arrotar.. Mas agora havia encontrado o Homem perfeito. Quinze minutos seriam suficientes pra falar do seu amor e dedicação e iria convencê-lo de que ela e somente ela era a sua mulher perfeita.
Sim só mesmo ela havia acertado as 22 perguntas sobre ele. E quando Bob Joe o locutor anunciou o seu nome como vencedora sentiu-se flutuar. O mundo parou, tudo a sua volta não tinha mais lógica nenhuma. Olhou para o seu quarto todo em laranja e branco e pensou que se casasse com ele talvez ele não quisesse morar ali. Sua cor preferida era o azul escuro e era assim que ela estava vestida naquele sábado. Camiseta azul escura, calça azul escura e claro havia comprado um tenis azul escuro depois de quase enlouquecer sua mãe no shopping local atras dessas roupas.Mas tudo estava muito perfeito. O dia , apesar da chuva estava lindo e nem mesmo as reclamações de seu pai sobre "ter que sair num sábado desses meu dia de folga" etc etc nem a incomodavam. Ela nem ouvia nada. Estava com a caixa de chocolates preferida dele (sabor morangos ao licor) e a partir de agora seria a preferida dela tambem.Levava tambem uma camiseta com a figura de Patty Snake uma roqueira da qual ele tambem era muito fã (ela nem tanto mas passara a ser roqueira tambem) ah e na sacola maior um poster do time de futebol Lunares Futebol Clube do qual ele era torcedor. Tudo bem ser o Lunares time adversário do Encarnado FC time esse que toda a sua família era fanática. Detalhes. Meros detalhes. Perto de casar com o homem perfeito o que era mudar de time, de sabor de bombons, de cor? Bem lá estava ela chegando no Hotel. A produção do seu ídolo veio recebê-la. Todos muito atenciosos cheios de recomendações como "por favor tire o chicletes da boca ele odeia que masquem na frente dele" (sacanagem o chiclé era novinho sabor melancia recem havia posto na boca) mas tudo bem ela entendia. Se rolasse um beijo como iria beijar tendo algo na boca? Seu ídolo pensava em tudo. Ah e teria que esperar um pouco ele estava se recuperando de uma sessão de fotos e a fizeram sentar em um sofá numa pequena saleta. A produtora de nome Giza ficou conversando com ela e claro o assunto era "ele" o tempo todo. A própria Giza admirou-se do quanto ela sabia sobre a vida de seu ídolo. "Tenho vivido os últimos seis meses só pra ele" ela disse. Então, da pequena saleta chamaram Giza. Ela voltou explicando:" Ele já vem está no toilete acho que comeu algo que não lhe caiu muito bem, nosso artista tem uma saude muito delicada. As frutas que ele come precisam ser muito bem esterelizadas senão.." "Senão dá dor de barriga né Giza?" disse Pedrão o motorista da produção, um homem grande e com uma risada engraçada.Ahahahahahaha e todos riram;e aí veio lá de dentro um barulho forte de descarga. Sim, descarga de vaso sanitário e Pedrão disse:" Pronto nosso homenzinho já deve ter se aliviado daqui a pouco ele vem hahahahaha" "Já volto, disse Giza, vou buscar nosso moço".Mas quando Giza e o Perfeito Moço chegaram não encontraram ninguem. "Ué onde foi parar sua fã?"

Como um robô ela voltou para o carro do pai que a aguardava. "Então como foi o encontro com o seu mega híper super artista?"
Ela não respondeu. Seu silêncio foi interpretado como emoção e o pai não perguntou mais nada. Mas no seu interior algo havia se quebrado. Seu ídolo havia caído do pedestal. Deixara os presentes para ele em cima do sofá. Ele que fizesse bom proveito dos seus bombons horríveis de morango (que mau gosto) da sua camiseta com aquela roqueira nada a ver (a mulher só gritava no palco não se entendia uma palavra das músicas dela) do seu time de futebol asqueroso.Colocou um chiclé na boca e pensou que os jogos de basquete do Celso até que eram divertidos. Podia mesmo aguentar seus arrotos..Agora Homem que faz cocô ah daí não dá né?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SOM NA VITROLA

Procurou nas velhas prateleiras empoeiradas por algum disco que conhecesse. Mas nada lhe parecia familiar. Onde foram parar suas coleções favoritas? Lembrava com certeza que colocava tudo em ordem alfabética motivo até mesmo de chacota entre os amigos. Diziam-lhe que só ele mesmo fazia aquilo. Mas não encontrava e isso já o estava deixando nervoso. Sabia que não havia se desfeito de nada, sim sim havia dado alguns livros e aquela coleção de charutos afinal havia parado de fumar há muito tempo. Mas os discos e as fotos tinha certeza que havia guardado. Ah sim e as garrafas de licor tão caras na época mas vazias não valiam mais nada. E tambem desde que o médico havia lhe proibido de beber para que serviriam? Nunca mais dona Eleonora faria licores. Ou se fizesse não lhe daria. Encontrou uma pequena caixa, graças a Deus suas agulhas da vitrola estavam bem guardadas. Sempre tinha duas de reservas. E o que era aquele vidro escuro no fundo? Tinta para sua caneta. Chacoalhou o vidro apesar de escuro parecia vazio. Será que a tinta tinha evaporado? Pô e o rapaz que lhe atendeu na Sulina havia garantido que era de boa qualidade. Sabia que não deveria ter confiado naquele guri mascando chicletes atrás do balcão. Agora deram pra isso. Mascam esse troço e não engolem..Aliás já não tinha gostado muito do estabeleciemnto lembrava agora que havia procurado um lugar na entrada para deixar seu chapéu e não havia encontrado. Pouca vergonha os homens não estavam mais usando chapéus. Mas tinha certeza que isso não iria durar muito. Logo logo o bom senso voltaria a moda. Ora andar sem chapéu e uma bela bengala que falta de elegância.
Olhou para cima e deu de cara com um embrulho. O que era mesmo aquilo? Ah sim um par de luvas pretas. Iria mandar a empregada limpá-las com certeza sua filha iria querer usá-las mais tarde no seu primeiro baile. Pensando bem talvez sua neta tambem quisesse usa-las. Não importa eram de pelica duraria muitas gerações e óbvio que as mulheres nunca deixariam de usar luvas. Mas onde estavam seus discos do Ivon Curi. Bom esse guri, canta direitinho. Claro não é nenhum Chico Alves mas canta bem. Ou será que hoje estava mais disposto a ouvir um bom tango? "UNO" seu preferido. Esse ano ainda iria a Buenos Aires, ah as grandes noites em Buenos Aires. Lembrava que seu amigo o Wenceslau estava de viagem marcada para Montevidéu..iria casar lá com dona Jurema. Cá pra nós poucos sabiam que ele era desquitado. Desquitou-se dias desses. Mas esses assuntos nem é bom a gente comentar.
Percebeu uma gaveta. Estranho não lembrava desse armário ter gavetas. Com um pouco de jeito abriu e sim ali estavam seus discos. Mas quem havia colocado eles assim um em cima do outro não sabem que estragam? A criadagem. Só podia ser. Não se pode dar moleza e eles tomam conta de tudo. Sentou-se na velha poltrona com uma colcha por cima deviam mandar colocar uma napa que gente que não recupera os móveis. Pegou sua preciosa coleção. Qual iria ouvir? Teria muito tempo para escolher. E ali ficou a olhar com saudades cada capa e a cada uma delas as histórias e as recordações a lhe alimentar alma...


EMPREGADA: Dona Lia seu avô se trancou lá no sótão de novo. Tiro ele de lá?
Dona Lia: Não...deixa ele viver mais um pouco...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

PLANETA..(mas é o Atlântida)

VERÃO 2000


Já fazia um tempo que eu e Dennis queríamos ir ao Planeta Atlântida. Somos muito ecléticos em termos de som apesar da preferência pelo rock e o Festival é o melhor lugar para se curtir de tudo um pouco por mais de 12 horas. É tem que ter pique. E ceva lógico. Bem então ingresso comprado tudo certo só esperando nossa carona que nos levaria de Arroio do Sal para Atlântida. Lá pelas duas da tarde chegou meu filho Cassiano numa Variant cor de laranja ano jurássico que não abria as portas a gente tinha que entrar pela parte de trás (hahahahaha). É claro que a polícia rodoviária nos parou na estrada do mar mas quando viram a situação e com a promessa de que iríamos devagar (não sei porque a preocupação a Variant não passava dos 60 mesmo) nos liberaram. E lá chegamos para nosso primeiro Planeta Atlântida maravilhoso para curtir dançar e beber até as 6 da manhã. Nunca mais deixamos de ir só que claro agora vamos confortavelmente na van da Michele que faz o trabalho de entrega dos planetários de Arroio!!!! E 2011 tô lá de novo!!!!!!!!!!!!

UMA MENINA CHAMADA KAREN

Ela apareceu na recepção da Escola em que eu dava aula de teatro um dia nem sei direito que dia foi mas me encantei com aquela menina.Contratada como recepcionista...mas ela era mais que isso. Atenciosa, curiosa,estudiosa e muito responsável logo se via que ela iria longe. Então como é que deixaram ela escapar? Eu não deixaria..até porque todo mundo ,sabe hoje em dia encontrar alguem com tanta determinação não é lá muito comum..Dirigi ela numa peça e veio a confirmação: mais um adjetivo:competente. Fez o papel com extrema maestria..Mas deixaram ela escapar. Ainda bem! Hoje é uma das melhores Pedagogas que o Rio Grande conhece! Cuidado com quem voce deixa escapar..pode ser uma pedra preciosa e voce só enxerga uma bolita!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

CÁRCERE PRIVADO

Estou preso há...há quanto tempo mesmo? Essa minha memória ainda acaba comigo..ou a falta dela melhor dizendo. Mas por mais que eu pense e tente não consigo me lembrar quando cheguei aqui. Tambem já faz tanto tempo. Mas o pior não é isso; o pior é que estou tão afetado por esse cárcere privado que esqueci meu crime. Que deve ter sido hediondo porque pelo jeito estou na perpétua. E sózinho. Para alguns talvez seja uma grande vantagem ter uma cela só para si mas não é meu caso. Me sinto muito sozinho,literalmente. Nos dias em que há sol eles me deixam ficar no pátio mas quando se está preso as grades não saem de sua volta. Olho para cima e ver o azul do ceu me dá um certo conforto. Um dia vou ser livre...sonho muito com isso...sonho que estou lá em cima vendo a terra, as árvores tudo bem pequeno e eu envolvido em nuvens..Sonhar é bom. Mas acordar é terrível. Acordar e voltar a velha rotina de comer, beber e meu Deus já decorei cada espaço, cada canto desse lugar. Um dia um tal de Mauro Jr prometeu me libertar. Acho que era um revolucionário pelo que pude entender, era absurdamente contra qualquer tipo de prisão e pela roupa que usava não era um presidiário. Até hoje não sei direito porque encasquetou comigo e ficou semanas numa tentativa doentia de me livrar dessa cadeia. Mas parece que o chefe-mor daqui descobriu muito cedo suas intenções e suas visitas foram terminantementes proibidas. Bem, sigo meu destino sem muitas esperanças de me ver liberto mas o que mais me angustia é que não consigo me lembrar do crime que cometi...
FIM

nota da autora: CANÁRIOS NÃO COMETEM CRIMES.....



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

EU E MANUEL

Eu e Manuel

Conheci Manuel há alguns anos, logo que ele comprou sua pequena casa no subúrbio. Vim morar com ele e nossa afinidade e companheirismo foram imediatos. Não que combinássemos em tudo, pelo contrário, em algumas coisas simplesmente éramos o oposto: ele adorava sua pequena piscina de plástico o que eu particularmente achava ridícula. E quando ele resolvia ligar seu rádio no volume máximo com aquelas músicas regionais, nossa senhora, meus ouvidos doíam...Mas fora isso bem que éramos felizes...Ele era um bom cozinheiro, comidas simples mas meu paladar não era mesmo dos mais requintados. Fazia um cozido de carnes dos deuses..E o que me lembro com mais saudades era de nossas tardes fazendo esporte. Sempre desconfiei que ele era um jogador de beisebol frustrado pois do que ele mais gostava era arremessar bolas e mais bolas fazendo aquelas poses típicas e sempre narrando as jogadas..Hehe eu na verdade não entendia nada do que ele falava e de suas pontuações malucas mas colaborava buscando as bolas e as vezes tendo de as encontrar no meio dos matagais...Nunca me arrisquei a jogá-las nem conseguiria mesmo..Deixava essa doideira para ele..Ou então de quando ele resolvia desligar aquele maldito rádio barulhento e ficávamos sentados na varanda apenas ouvindo o silêncio...Apesar do seu jeito rude no fundo Manuel era bem carinhoso...Sentia seu sentimento por mim apesar de ele nunca ter sido muito explícito a respeito mas o que um bom cafuné não faz não é mesmo? Eu acreditava no “Felizes para Sempre” até que Manuel começou a mudar de comportamento: já não cozinhava mais apenas abria sacos de comidas prontas (muito ruins diga-se de passagem) e colocava dentro do forno. As panelas não saíam mais do armário e eu percebia que nem ele mesmo tinha mais apetite. Andava do quarto para a sala e me parecia sempre cansado. Nem mesmo seu rádio ele ligava mais. Por mais que eu tentasse animá-lo era tudo em vão. Jogar nosso “beisebol maluco” então nem pensar. Sentado na varanda nem sei quem mais cochilava se eu ou ele. Então um dia um carro branco veio buscar meu Manuel. Bem que tentei ir junto rodeei de todos os jeitos aqueles homens enormes, mostrei meu interesse em não me separar do meu companheiro será que eles não percebiam que sem ele minha vida não teria sentido? “Negativo” foi a resposta “você não pode ir junto”.

Bem hoje estou aqui, na varanda, no mesmo lugar de sempre ouvindo o silêncio...o que me salva é o vizinho que vem todo dia me trazer comida..é dura a vida de um cão.!

Texto de MARIA CRISTINA DE LIMA MARTINEZ..

CELESTE MARIA

CELESTE MARIA

Celeste Maria nasceu sob berço esplêndido. Seu pai um renomado homem da sociedade vinha de uma família tradicional daquela grande cidade e naquele início de 1900 os negócios fervilhavam tornando suas viagens cada vez mais constantes. Sua mãe uma doce francesa havia estudado no clássico Colégie D´as Arts de France e passava boa parte do tempo pintando belíssimos quadros. Celeste Maria cresceu naquela enorme mansão (quando criança tudo é bem mais enorme mesmo) com muito espaço e verde dos quintais e jardins. Nunca em momento algum precisou sair alem dos portões...não tinha a menor idéia do que havia alem deles e tão pouco se importava com isso. Tinha uma adorável babá que lhe fazia companhia o tempo todo por onde levantasse os olhos lá estava ela sempre a cuidar para que não caísse ou arranhasse os joelhos ou sei lá mais o que...mas Celeste Maria era uma criança muito calma apesar de ter sempre os pensamentos a fervilhar..adorava o cheiro dos cravos do seu pequeno jardim achava-os mais bonitos que o imenso tapetes de camélias do laguinho central na entrada da casa...Era ali o seu lugar preferido...era ali que costumava pintar seus pequenos quadros herança genética de sua mãe..Ou apenas ficar deitada na grama vendo desenhos de nuvens no céu..ou quando lhe permitiam sentir a deliciosa chuva no verão que por vezes caía...A natureza era sua melhor amiga havia sempre coisas a explorar coisas que nem sempre os adultos percebiam...o caminho secreto das formigas sempre ligeiras..as pequenas rãs que se escondias nas pedras úmidas dos canteiros..os pequenos pássaros espertos a comer as frutas dos altos das árvores.. E assim entre um Natal e outro (o Natal era uma festa linda adorava a casa enfeitada de muitas velas e flores) ela era feliz. Se precisasse de médico sua mãe mandava chamar o sempre solícito dr Moralles velho amigo da família ele e seus xaropes amargos e gotas e comprimidos para baixar a febre. Mas de um modo geral criada naquela redoma de cuidados Celeste Maria raramente ficava doente. Fora o dr Moralles ,poucas pessoas visitavam a mansão. E para ela isso pouco importava já que mesmo quando tinham visitas ela nunca permanecia nos salões mesmo...Tinha sempre que se recolher cedo e nas noites quentes a criada deixava a pequena janela lateral de seu quarto aberta onde uma minúscula varanda era o seu local dos sonhos..quando não tinha sono ficava ali a observar o espetáculo das estrelas e a lua ah a lua era o seu maior encanto aquela bela bola redonda cor de prata no céu....

Mas, e toda história que se preze tem um mas, um dia seu pai chegou de mais uma de suas longas viagens acompanhado de um jovem rapaz afilhado seu que embarcaria dentro de um mês para Londres para casar-se com uma jovem inglesa e precisava de um tempo para organizar seus documentos de embarque. Celeste Maria então já não era mais uma simples criança apesar de seus parcos 12 anos. Havia percebido que algumas coisas estavam mudando dentro de seu peito..as vezes surpreendia-se com um calor pelo corpo e chorava sem motivo algum em algumas noites antes de dormir e claro sem nunca deixar que ninguém percebesse suas mudanças de comportamento..era melhor continuar a ser sempre a mesma Celeste Maria senão poderiam chamar o dr Moralles e seus remédios..não sabia como sabia mas sentia que seu problema não era curável com remédios...Seu corpo andava esquisito seus peitos doíam e havia sangrado durante o banho..mas conseguiu disfarçar tudo muito bem e nem a velha babá desconfiou de nada. E eram apenas alguns pingos de sangue talvez tivesse se machucado naquela hora em que tentou alcançar uma pêra apetitosa num galho mais alto..Enfim não queria mais pensar nisso havia colocado uma pequena fronha dentro de sua roupa íntima e pronto depois daria um jeito de enterra-la sem que ninguém visse. Aproveitaria os momentos em que Albertina cochilava (esse era o nome de sua babá) e ela cochilava com mais freqüência a cada ano e se livraria do pano.

E então seu pai havia chegado com novidades, hospedariam o tal jovem por um mês e a rotina da mansão mudou para a correria de arrumar o quarto de hóspedes “Querido precisamos de uma lista do que o jovem Rui gosta de comer” disse a mulher para o marido e essas coisas enfim que acontecem quando recebemos alguém em nossa casa. Mas o que mais mudou e ninguém conseguiu perceber foram os pequenos olhos escuros de Celeste Maria..quando ela fitou o jovem rapaz sua boca secou suas pernas tremeram e sua cabeça bem sua cabeça começou a ferver num misto de dor e tontura que ela mal conseguia disfarçar. Ou melhor, disfarçava muito bem pois por fora sua serenidade era a mesma. Mas a partir daquele momento suas noites não eram mais de pequenas insônias mas sim de total insônia..Se dormia sonhava com aquele jovem rapaz lindo tão lindo como uma das pinturas de sua mãe. Se acordava continuava a sonhar com ele que claro jamais a notou era uma pequena menina. Os dia passaram a ter um outro significado e quando ele saía ficava a fitar insistentemente o grande portão para que logo ele retornasse. Aquele mês passou diabolicamente rápido demais e enfim chegou o dia da partida. Celeste Maria viu as malas no hall e as empregadas desfazendo o quarto onde o jovem se hospedara. Sua mãe havia mandado preparar um belo almoço percebera isso porque a mesa fora montada no jardim principal e taças e copos finos colocados sobre a mais linda das toalhas de mesa. Mas Celeste Maria pouco comeu. Sem que ninguém percebesse (como sempre) passou todo o almoço a fitar aquele que fazia seu pequeno coração disparar. E então as despedidas e promessas do tipo “sim vou escrever sempre que puder minha senhora sua mansão é linda” etc etc.. E o jovem saiu pelo portão.

O que ninguém percebeu naquele dia (como sempre) é que outra pessoa também saiu por aquele portão ,uma pessoinha hipnotizada por sentimentos inexplicáveis e por uma louca tontura pelo corpo tal qual fizeram os ratos quando saíram pelas ruas seguindo a flauta em Hamellin naquele antigo conto.

Horas depois quando o chefe da guarda chegou a mansão encontrou uma família sob o signo do caos..”Como assim sua filha nunca saiu da casa..procuraram no pomar? Há sótão ou porão que ela pudesse se esconder? Alguem brigou com ela? Não notaram nada nos últimos dias?” Enfim para todas as questões a mesma resposta “ Não”.

Celeste Maria nunca mais foi encontrada...

Tres semanas depois a polícia retorna a casa para dar o caso por encerrado..Em meio a calmantes e consolos a mãe da menina os recebe no quarto de Celeste Maria de onde já quase não sai mais. O jovem policial tenta explicar que já não há mais por onde procurar foram em todos os cantos da cidade perguntaram a todos pela rua mas tudo fora em vão. Nem sinal de sua filha.!

“Passamos os últimos dias com toda a nossa guarnição em alerta nessa operação e gritamos e chamamos por sua filha até que nossos homens perdessem a voz..”

E então numa gargalhada patética e demente a mãe disse: “Ela jamais ouviria: Celeste Maria era surda muda....”

FIM

TEXTO DE MARIA CRIS DE LIMA MARTINEZ 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

SIMMMMM de volta após um tempo...Muito trabalho essas coisa.. E aí como vão as coisas nesse meu país?? Sei sei nada ou muito pouco mudou: saude continua o mesmo caos...trabalhadores em greve...gente morando e morrendo em cima de lixo e político como sempre fazendo de tudo pra manter suas contas bancárias em alto nível...Pessimista eu? Não , apenas leio os jornais embora as vezes não tenha mais vontade para isso... Mas do lado bom da vida tem o Programa GALERA DE ATITUDE que vem fazendo a alegria da juventude portoalegrense e adjacências...Porque é o ÚNICO PROGRAMA VOLTADO PARA O JOVEM COM A PRESENÇA DELES NA PLATÉIA acreditam? Tá lá deem uma olhada todo DOMINGO AS 18:00 HORAS NO CANAL 7 TVE!!!!!!!