sexta-feira, 18 de novembro de 2011

GPS

Eu tenho GPS. Mas não é igual aos GPS dos outros carros. Meu é de carne e osso hehehe. Meu Dennis. Ele guia junto. " Melhor pegar esquerda agora", " buraco nessa esquina, lembra" ou ainda "mantem a direita vamos dobrar em seguida". Ele cuida. E facilita claro. Toda a atenção na direção com uma ajuda dessa facilita. Para mim pelo menos e porque é ele claro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Batebatebate Coração...

O dia não tinha amanhecido ainda e prometia ser quente. Eu estava quente. Fervendo acho. Meu coração resolvera mudar de lugar e batia na garganta.E essa de medo tava seca. "Tudo tranquilo amor vamos pegar a estrada?" ele pergunta bem feliz e eu: "Nosssssa tudo super tranquilo. Vamos nessa que vai ser muito tri!". Foi tudo que saiu da minha boca completamente sem saliva. Daí vem na cabeça aquelas conversas de eu com "mim mesma" tipo: "Pra que inventar de guiar auto agora? Mas não era o que tu semmmmmmmpre quis?? Tá mas e agora encarar friuei e estradinha do mar..."
Já no carro: "..será que vou ouvir o barulho do motor com esse barulho de motor dentro de mim?"

Buenas...isso faz um tempo...agora o coração voltou para o lugar dele e as viagens graças e graças sempre tem sido mais tranquilas hehehe... Mas que a primeira foi casca foi. Ah e para compensar quando cheguei na praia guardei bem guardadinho o auto e fui imediatamente fazer tratamento de hidratação a base de Cerveja gelada hehehe.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ela

No quintal da minha casa tem um pé de amora... não, peraí não é nenhum verso não. É que é verdade. E sábado de manhã estava eu lindamente com minha baciazinha colhendo frutinhas escuras e docinhas para colocar na cachaça (fica um licor muito bom) quando ela chegou. Eu poeticamente tentando entrar em alfa com a natureza pensei "Tem espaço para nós duas". Não tinha. Pelo menos para ela.. Veio em minha direção mirando meus olhos e praticamente gritando "Saindo faz favor, saindo que esse condomínio de amoras é meu". (Tá, ela não falou nada disso mas é como se tivesse falado). E caracas mil fui indo de costas e fui e fui e entrei em casa com coração na mão.Volto lá depois nem tô com pressa mesmo. E com abelha não se brinca.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fazeroquê

2011. Na base lunar abro meu cérebro eletrônico virtual para ver as condições do tempo na Terra. Vamos voltar hoje e estou com muitas saudades da vida simples do meu planeta. Ler um bom livro, escutar rádio, passear no Sol, beber água (ái que saudades de uma água da pena mesmo). Lá no meu planeta as pessoas se encontram ao vivo não como aqui na Lua onde todos só se comunicam através desse cérebro eletrônico, sábado é dia de matiné, domingo é dia de parque, comer pipoca doce e salgado no mesmo pacote e me lambuzar com um Chicabom. Pegar o auto do meu pai emprestado e me mandar pra Ipanema encontrar a turma..Comer maçã comprada na venda que vem enrolada num papel azul (aqui na lua é tudo embalagem de plástico),chiclé sabor tuttifruti e bala 7 belo, saber quem casou com quem lendo a revista Amiga e morrer de rir com as charges do Sofrenildo no Correio do Povo... Vai ser bom voltar... essa viagem no tempo futuro já me cansou...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Num piscar

Num piscar de olhos eu existia..só sabia que gostava de dançar e cantar as músicas do programa Times Square. E todos aplaudiam..uma multidão de ãh, quatro parentes..mas aplaudiam...E eu ficava na janela esperando a Mary Poppins. E estava noiva de um menino que colocou no meu dedo um anel feito com ourinho da embalagem do cigarro..Minister. E alguem ganhou o boneco Mug e minha prima Leci tinha os bonequinhos com cabeção do Beatles. E ela e minha irmã compraram unhas postiças na Sloper. E dê-lhe "Coração de Papel" na vitrola. E meu pai chegou com carro novo um Aero Willys. Azul meio cinza. E a gente ia pra Figueirinha e levava 5 horas, tinha que passar pela balsa em Terra de Areia. Depois a gente ia pela beira da praia rezando pra não atolar, mas as vezes atolava e até que era divertido. E na praia era onde se comia peixe, milho verde, rapadurinha de leite e puxa-puxa, pastel de marisco e sonho.E aparecia os carros puxados a boi cheio de verdura e melancia. E não tinha luz na casa ninguem tinha e a gente jogava carta com a luz do lampião Aladim. Ou ia na Safi jogar bingo e depois dançar. Num piscar de olhos só de relembrar já fico feliz!!!!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

W.C.

Samantha acordou muito cedo naquele sábado. Na verdade nem havia dormido. Esperava há séculos por esse momento ou a vida toda. Tá certo, para uma menina de quatorze anos, seis meses era mesmo a vida toda. Seis meses. Lembrava cada detalhe do rosto de seu amado ídolo. Sabia tudo sobre ele. Bem, tudo que interessava ,óbvio, como signo, comida preferida, cor preferida, roupa preferida, tipo de mulher preferida,essas coisas tãããão imprescindíveis de se saber sobre quem se ama. Havia comprado todas as revistas onde ele aparecia e na parede do seu quarto fora a janela não havia mais espaço para tantos posters. Ele na praia, ele no carro, ele nos shows, ele ele ele ele..
Quando a rádio Asterix FM lançou a promoção ficou o dia todo O DIA TODO eu disse ligando para lá. A fã que acertasse a mais perguntas sobre o artista passaria quinze minutos com ele na saleta do hotel destinada a imprensa. QUINZE MINUTOS!!!! Não era o máximo?? Quinze minutos podendo olhar aquela visão dos deuses aquele homem perfeito cheiroso maravilhoso!!!! Tudo nele era superior a qualquer homem que habitasse o planeta terra. Tá tá bom ela não tinha muita experiência em homens digamos que havia namorado dois..Bem o João Luis não conta eles tinham só 8 anos..Então só tinha namorado o Celso mesmo mas ele e seus jogos de basquete haviam acabado com o romantismo. E depois aquela péssima mania de arrotar.. Mas agora havia encontrado o Homem perfeito. Quinze minutos seriam suficientes pra falar do seu amor e dedicação e iria convencê-lo de que ela e somente ela era a sua mulher perfeita.
Sim só mesmo ela havia acertado as 22 perguntas sobre ele. E quando Bob Joe o locutor anunciou o seu nome como vencedora sentiu-se flutuar. O mundo parou, tudo a sua volta não tinha mais lógica nenhuma. Olhou para o seu quarto todo em laranja e branco e pensou que se casasse com ele talvez ele não quisesse morar ali. Sua cor preferida era o azul escuro e era assim que ela estava vestida naquele sábado. Camiseta azul escura, calça azul escura e claro havia comprado um tenis azul escuro depois de quase enlouquecer sua mãe no shopping local atras dessas roupas.Mas tudo estava muito perfeito. O dia , apesar da chuva estava lindo e nem mesmo as reclamações de seu pai sobre "ter que sair num sábado desses meu dia de folga" etc etc nem a incomodavam. Ela nem ouvia nada. Estava com a caixa de chocolates preferida dele (sabor morangos ao licor) e a partir de agora seria a preferida dela tambem.Levava tambem uma camiseta com a figura de Patty Snake uma roqueira da qual ele tambem era muito fã (ela nem tanto mas passara a ser roqueira tambem) ah e na sacola maior um poster do time de futebol Lunares Futebol Clube do qual ele era torcedor. Tudo bem ser o Lunares time adversário do Encarnado FC time esse que toda a sua família era fanática. Detalhes. Meros detalhes. Perto de casar com o homem perfeito o que era mudar de time, de sabor de bombons, de cor? Bem lá estava ela chegando no Hotel. A produção do seu ídolo veio recebê-la. Todos muito atenciosos cheios de recomendações como "por favor tire o chicletes da boca ele odeia que masquem na frente dele" (sacanagem o chiclé era novinho sabor melancia recem havia posto na boca) mas tudo bem ela entendia. Se rolasse um beijo como iria beijar tendo algo na boca? Seu ídolo pensava em tudo. Ah e teria que esperar um pouco ele estava se recuperando de uma sessão de fotos e a fizeram sentar em um sofá numa pequena saleta. A produtora de nome Giza ficou conversando com ela e claro o assunto era "ele" o tempo todo. A própria Giza admirou-se do quanto ela sabia sobre a vida de seu ídolo. "Tenho vivido os últimos seis meses só pra ele" ela disse. Então, da pequena saleta chamaram Giza. Ela voltou explicando:" Ele já vem está no toilete acho que comeu algo que não lhe caiu muito bem, nosso artista tem uma saude muito delicada. As frutas que ele come precisam ser muito bem esterelizadas senão.." "Senão dá dor de barriga né Giza?" disse Pedrão o motorista da produção, um homem grande e com uma risada engraçada.Ahahahahahaha e todos riram;e aí veio lá de dentro um barulho forte de descarga. Sim, descarga de vaso sanitário e Pedrão disse:" Pronto nosso homenzinho já deve ter se aliviado daqui a pouco ele vem hahahahaha" "Já volto, disse Giza, vou buscar nosso moço".Mas quando Giza e o Perfeito Moço chegaram não encontraram ninguem. "Ué onde foi parar sua fã?"

Como um robô ela voltou para o carro do pai que a aguardava. "Então como foi o encontro com o seu mega híper super artista?"
Ela não respondeu. Seu silêncio foi interpretado como emoção e o pai não perguntou mais nada. Mas no seu interior algo havia se quebrado. Seu ídolo havia caído do pedestal. Deixara os presentes para ele em cima do sofá. Ele que fizesse bom proveito dos seus bombons horríveis de morango (que mau gosto) da sua camiseta com aquela roqueira nada a ver (a mulher só gritava no palco não se entendia uma palavra das músicas dela) do seu time de futebol asqueroso.Colocou um chiclé na boca e pensou que os jogos de basquete do Celso até que eram divertidos. Podia mesmo aguentar seus arrotos..Agora Homem que faz cocô ah daí não dá né?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SOM NA VITROLA

Procurou nas velhas prateleiras empoeiradas por algum disco que conhecesse. Mas nada lhe parecia familiar. Onde foram parar suas coleções favoritas? Lembrava com certeza que colocava tudo em ordem alfabética motivo até mesmo de chacota entre os amigos. Diziam-lhe que só ele mesmo fazia aquilo. Mas não encontrava e isso já o estava deixando nervoso. Sabia que não havia se desfeito de nada, sim sim havia dado alguns livros e aquela coleção de charutos afinal havia parado de fumar há muito tempo. Mas os discos e as fotos tinha certeza que havia guardado. Ah sim e as garrafas de licor tão caras na época mas vazias não valiam mais nada. E tambem desde que o médico havia lhe proibido de beber para que serviriam? Nunca mais dona Eleonora faria licores. Ou se fizesse não lhe daria. Encontrou uma pequena caixa, graças a Deus suas agulhas da vitrola estavam bem guardadas. Sempre tinha duas de reservas. E o que era aquele vidro escuro no fundo? Tinta para sua caneta. Chacoalhou o vidro apesar de escuro parecia vazio. Será que a tinta tinha evaporado? Pô e o rapaz que lhe atendeu na Sulina havia garantido que era de boa qualidade. Sabia que não deveria ter confiado naquele guri mascando chicletes atrás do balcão. Agora deram pra isso. Mascam esse troço e não engolem..Aliás já não tinha gostado muito do estabeleciemnto lembrava agora que havia procurado um lugar na entrada para deixar seu chapéu e não havia encontrado. Pouca vergonha os homens não estavam mais usando chapéus. Mas tinha certeza que isso não iria durar muito. Logo logo o bom senso voltaria a moda. Ora andar sem chapéu e uma bela bengala que falta de elegância.
Olhou para cima e deu de cara com um embrulho. O que era mesmo aquilo? Ah sim um par de luvas pretas. Iria mandar a empregada limpá-las com certeza sua filha iria querer usá-las mais tarde no seu primeiro baile. Pensando bem talvez sua neta tambem quisesse usa-las. Não importa eram de pelica duraria muitas gerações e óbvio que as mulheres nunca deixariam de usar luvas. Mas onde estavam seus discos do Ivon Curi. Bom esse guri, canta direitinho. Claro não é nenhum Chico Alves mas canta bem. Ou será que hoje estava mais disposto a ouvir um bom tango? "UNO" seu preferido. Esse ano ainda iria a Buenos Aires, ah as grandes noites em Buenos Aires. Lembrava que seu amigo o Wenceslau estava de viagem marcada para Montevidéu..iria casar lá com dona Jurema. Cá pra nós poucos sabiam que ele era desquitado. Desquitou-se dias desses. Mas esses assuntos nem é bom a gente comentar.
Percebeu uma gaveta. Estranho não lembrava desse armário ter gavetas. Com um pouco de jeito abriu e sim ali estavam seus discos. Mas quem havia colocado eles assim um em cima do outro não sabem que estragam? A criadagem. Só podia ser. Não se pode dar moleza e eles tomam conta de tudo. Sentou-se na velha poltrona com uma colcha por cima deviam mandar colocar uma napa que gente que não recupera os móveis. Pegou sua preciosa coleção. Qual iria ouvir? Teria muito tempo para escolher. E ali ficou a olhar com saudades cada capa e a cada uma delas as histórias e as recordações a lhe alimentar alma...


EMPREGADA: Dona Lia seu avô se trancou lá no sótão de novo. Tiro ele de lá?
Dona Lia: Não...deixa ele viver mais um pouco...