sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

  A sala de leitura não era exatamente uma biblioteca mas a seleção de livros era bem interessante. Teriam um longo inverno sabia disso e se já achava que estavam isoladas em dias de sol calcula quando começasse chover e frios e. Bem, consolo que de certo modo diminuía sua ..ãh seria tristeza? Não. Era mais uma melancolia estranha e conformada. Tinha que estar ali então ali estaria. E na companhia de livros melhor ainda. Que fosse. 
" Guriasss (era sempre assim que madame as chamava), nas próximas semanas faremos o que chamo de "O que entendí do que lí".  Explico, explico: Darei a manhã de hoje para que conheçam nossos livros. Na hora de nosso almoço me mostrarão o que escolheram e o que esperam dessa leitura. Quando terminarem e aí não estipulo tempo, claro, quando terminarem veremos o quanto crescemos."

Falou tudo quase sem respirar, "não sei como consegue  pensou Chamay, credo".
Uma manhã inteira com seus pensamentos livres. Lembrou-se de uma amiga que tivera ainda pequena  e de quando brincavam de "psiu,calou, ficou", onde ganhava quem ficasse mais tempo sem falar..Certa vez sentadas na escada em frente a casa chegaram a dormir tamanho silêncio hehe. Ganhava sempre, Luap (esse era o nome da amiga) adorava conversar. E ela mesmo perguntava e ela mesmo respondia o que para Chamay era muito bom, lá tinha respostas ..Cada pergunta.."Como será seu marido?" "Onde irão morar?" Sua casa vai ter jardim? A minha vai ter um enorme só de cravos, adoro cravos mas minha vó diz que é flor de defunto, defunto? Vê se pode?" 
E assim tagarelava Luap e agora pensou que se ela alí estivesse escolheria um belo romance daqueles de chorar (argh!) do primeiro ao último capítulo. Enquanto seus pensamentos voavam seus olhos preguiçosamente percorriam os títulos dos livros...Assuntos dos mais variados desde Ciências até ensaios de peças e Clássicos e , um livro chamou-lhe atenção: "Verdadeira Casa Dos Perfumes". Ora todos sabiam sobre a Casa de madame, a mais antiga "casa para moças" que se tinha notícias e claro não contando com o Convento Senhora de Deus mas esse era pras gurias que queriam seguir vida de religião.(Outro "argh!" mas com todo respeito claro). Pegou o livro.
(continua capítulo 4)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013



A lagarta cansada da vida difícil, desistiu de viver deitou 
dormiu e sonhou; a borboleta com pena da lagarta saiu de dentro dela e voou!!! 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Cap 2

Desceu amuada as escadas com a mão na testa ( assim talvez a cabeça não caísse de tanta dor) e encontrou Madame Jueves ja posicionada na mesa do café a espera de suas garotas. Tres na verdade. Alem de Chamay duas irmãs tambem moravam na casa mas haviam chegado bem antes, uns dois anos antes. Ross e Tuni. Lindas. Silenciosas. Diria-se serem o oposto de Madame. O que era muito bom só ela já enchia os ares.
   "Venha venha querida sente-se aqui para o seu primeiro café na Casa dos Perfumes!!!" gritava Madame.
Santa animação. Sentou-se e de repente aquele cheiro de manteiga batida realmente lhe deu fome. Santina ( a grande cozinheira que cheirava a baunilha e cebola o tempo todo) estava trazendo o pão. Feito no forno simples sem muita história. Por um momento que não soube explicar sentiu-se em casa. Credo, devia ser fome isso e serviu-se de cafe com leite. Tuni contava devagarinho entre um gole do seu cafe sobre como era sua terra natal no norte do país, uma pequena cidade que vivia da plantação de pêssegos. Ross quase não falava e apenas concordava com a irmã mais velha. Ambas tinham olhos castanhos muito lindos mas Tuni parecia ser mais feliz. Madame incentivava as conversas formulando perguntas querendo que todos ali bem convivessem. Mas era exigente e metódica. Mais metódica do que exigente. Dizia sempre:
  "Ser humano inteligente aprende de primeira".
(continua cap 3)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

CHAMAY

Como num pesadelo em  que quero acordar e não consigo ,assim me senti naquela tarde quando acordei de fato nos aposentos de Madame Jueves. Meus sais, quantos quadros num mesmo lugar..sabia que ela adorava pintar mas aquilo tudo junto..bem estava mesmo com tanta dor de cabeça que se as paredes estivesses nuas teria tido o mesmo repúdio pelo lugar.Sabia que ali ficaria os próximos dois anos estudando. Madame..não era má pessoa antes pelo contrário.Alegre. Alegre demais. Muito alegre. O tempo todo. Tudo era feito por ela com tal entusiasmo que a vontade que eu tinha era de sair correndo,correndo estrada afora. Sim. Estrada. Não era uma "delícia" que essa professora resolvesse ter sua escola para moças há trocentos mil quilômetros de qualquer coisa que se mexesse? "É o melhor pra ti" disse minha madrinha. Acho que ela não queria ou achava que não saberia como me tratar agora que havia me tornado uma moça. Enquanto criança ( come, dorme, brinca,agora toma banho, bebe tudo, faça lição,fique quieta etc..) não teve dificuldades mas agora..esses tempos modernos. Moças podem dar trabalho. Mas na casa de Madame não há tempo para se "dar trabalho" tamanha lista de atividades desde a hora em que "animadamente" ela acorda! Ópera. Muita ópera. E a ópera não acaba nunca. Pode piorar? Sim! Madame ainda canta junto!(Chimay é a protagonista dessa história. Segue no capítulo 2).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

OUTRO LADO

A vida toda esteve naquela casa. Nunca havia saído de lá. Nem sabia que tempo fazia mas lembrava da poeira que circundava o casarão, depois começaram a surgir algumas pequenas plantas e então uma cerca e então a poeira sumiu e concretaram tudo e os muros e os cães e..nunca saiu dali.Vivia seus dias iguais a não ser pelas coisas que via na janela e que podiam isso sim variar: a chuva, o sol, as ventanias, as estrelas..as estrelas..Mas naquele dia sentiu que era sua única chance. Precisava sair pois seria realmente sua única chance de saber o que havia por trás daqueles muros. Depois dessa chance não veria mais nada.Colocou um xale azul escuro sobre os ombros e abriu o portão. Conforme caminhava sentia faltar-lhe o ar e a boca sem nada de saliva mas seguiu em frente e ...viu. Uma cidade enorme erguera-se alem de seus muros..linda..exuberante...movimentada...barulhenta sim mas que barulho de vida tão diferente dos sons a que estava sempre acostumada...Alí a velha mulher ficou por longo tempo até sentir que sua visão se fora totalmente. Então com sua bengala voltou para dentro dos seus muros. Agora cega tinha lindas imagens para reviver dentro de si.E assim viveria até o fim.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Fundos da praia de Figueirinha...ela tinha fundos..os cômoros . E ali nossas mães nos levavam para encher até os olhos de areia e fazer a volta achar um caminho sem muito espinho por favor!!!!!!! e sair lá pela praia Bento Gonçalves onde tinha um Hotel estranho e todo mundo caía no mar!!! No meio desses cômoros tinha um "oásis" de árvores mas para a gente tudo era grande e eu subia os montes e ficava abismada com aquele visual da serra lá no fundo...Então um dia alguem apareceu lá em casa dizendo que um guri havia se perdido nos cômoros..Eu sinceramente não lembro quanto tempo durou até que acharam a criança nem deve ter sido muito, mas a mobilização foi tanta na praia que dalí em diante passei a respeitar mais aqueles montões de areia...até eu crescer e eles desaparecerem...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

As fotos milagrosas...ou não.

        Não sabíamos, jamais saberíamos a falta que faz um celular...não em 1973..ou seria 1974..?. Enfim, lá estávamos nós duas de novo, gravador ligado mas o cenário agora era o quarto da Nina. Sentadas no chão e cantando (engraçado, só lembro da gente cantando hehehe) cada uma pegou uma foto tres por quatro dos respectivos amores para sempre e ficávamos desejando que eles aparecessem (por isso a falta do celular fosse hoje era só ligar..acho..) e então ouve-se um assobio janela abaixo!!! As duas "voam" e colam o rosto no vidro (hahaha bem assim!!) e lá, olhando encantadoramente pra cima o amor pra sempre dela, da minha amiga Nina!!! E eu fiquei lá cantando e olhando a foto...nada aconteceu. Era o dia dela com certeza..fui pra casa. Eu hein? segurar vela nem pensar...