Chamay sentiu a boca secar. Queria pensar em algo menos clichê mas era isso mesmo: boca seca. O olho dele. Nela. Quando um olhar nos chega assim se vier acompanhado de um toque de mão...pronto, tá feito. E ele tocou. Na mão e pior no coração. Era o carimbo que ela não queria a marca que ela não precisava. Tarde, muito tarde. Encantou-se por aquele sorriso faceiro de quem não vê mal algum em dar um susto em alguem.
Quando madame os encontrou estavam exatamente nessa situação.
"Ó então se conheceram! Lock meu querido venha cá preciiiiso lhe mostrar os livros da contabilidade acho que seu Justinino já não anda dando conta do recado sozinho.."
Chamay subiu as escadas e quando entrou no quarto é que percebeu o livro que havia pego: "Doces e salgados preferidos da família" de uma tal Cris Lima. "Livro de Receitas!". pensou. Só ela mesma. Estranho, ela olhava para aquelas receitas e seu pensamento voou longe e nem se reconheceu ao se imaginar num enorme piquenique com todos aqueles pratos expostos e ele chegando e então..
"Mas onde voce pensa que está Chamay? Acorda! Tu nunca foi disso. Qual é o teu objetivo aqui? Estudar o que der e ir para a capital. Morar só. Azar se pensassem mal de mim. Mulher morando sózinha..Onde já se viu?" Chamay falava com ela mesma numa louca tentativa de voltar a razão.
Não saiu mais do quarto naquele dia alegou dor de cabeça, dor de ouvido, dor de dente enfim todas as dores juntas. Ficou horas ouvindo as conversas e risadas e mais risadas e sussurros e mais risadas parecia que as irmãs tambem haviam se encantado por ele. Ouviu a hora em que as meninas se recolheram, quando a madame deu boa noite e então vendo só a lamparina do corredor acesa saiu pra cozinha. Precisava de um chá, de um café, de um vinho de qualquer coisa que a acordasse daquele estado estranho.
Da porta do escritório- saleta de livros Lock viu aquele vulto de mulher passando pelo corredor e apenas observou. "Que olhar solitário ela tem " pensou. As moças com quem estava acostumado a conviver logo caíam na sua conversa e ele sempre soube como envolver alguem quando assim o quisesse. Mas aquela moça. Diferente ela. Por um segundo pareceu entrar em seus olhos para no segundo seguinte baixá-los e sair e ..só. Saiu sem mais nem porque. Ele esperou durante o jantar e mesmo depois mas a moça não retornou. Chamay. Esse era o nome. Madame disse ser uma de suas pupilas estava ali para estudar família pequena. Chamay. Não sabia porque mas algo lhe dizia que isso significa alguma coisa a mais.
"Não se assuste por favor dessa vez." E Lock foi entrando na cozinha que ainda cheirava a sopa e café.
" Não vou me assustar. Aceita um café?" disse uma Chamay que fervia por dentro. Não queria fitar-lhe os olhos pois sabia que...Ele não deu-lhe tempo para mais nada. Tirou a xícara de suas mãos e a beijou. Bem suave de início mal suas bocas encontravam-se e então cada parte de seus corpos enlaçarem-se de tal maneira como se sempre estivessem ali para isso apenas. Um minuto? Uma hora? Um século? Quanto tempo durou aquele beijo aquele sabor? Não saberiam responder, não quando o tempo pára. Aí não tem como contar...
sexta-feira, 5 de abril de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
PODE ME CHAMAR DE
Ano 2159...Estou escondida. Eles bem que me procuram mas não adianta. Conheço essas terras muito melhor que eles então estou em vantagem. Mas nem sempre foi assim...já vivi livre sob o sol, leve e solta...adorava correr pelas pedras, gramas, matos, areia enfim...natureza mesmo sabe? Adoro a natureza. Até, vou confessar, na cidade eu conseguia ser feliz. Felicidade é uma questão de ponto de vista. Eu era feliz. Talvez porque sempre me contentei com pouco. Mas isso eles não entenderam e conseguiram acabar com minha alegria. Agora vivo assim, escondida..Tá vou confessar de novo, para alguns eu até apareço. Mas as vezes. Só as vezes. Restou pouco de minha pureza. Não acredito mais no ser humano. É mais fácil eu acreditar em bichos, olha periga me ver até fazendo amizade com uma samambaia mas bicho-homem tô fora. Cara eles destroem tudo ao redor. Se tem árvore inventam a serra elétrica. Onde tem barro tacam cimento em cima. Se encontram uma praia linda jogam lixo e mais lixo na areia. Inventam coisas sem noção, já ouviu falar de "cigarro"? Um troço fedorento que acaba com a saude não tem gosto bom mas eles tão lá pitando um atrás do outro. Daí Deus inventou a cana de açucar pra eles terem um docinho né ah mas não eles conseguiram e dali tiraram uma tal de aguardente que por aí tu calcula o gosto que tem. Credo! Tem mais coisa-sem-noção quer saber? Revólver (é um troço que sai um outro troço de dentro e mata o vivente que tiver na frente), bomba atômica (buenas essa mata quem tiver na frente, atrás ,do lado , mata tudo), homem-bomba (é um imbecil que não satisfeito em se estraçalhar estraçalha quem não tem nada com isso) . Ai quer saber chega, nem é bom pensar mais nessas idiotices. Mas como eu dizia agora vivo escondida. Sou "coisa rara" como eles dizem. Meu nome? Ah sim desculpa não me apresentei: sou h20 mas pode me chamar de água.
FIM
FIM
segunda-feira, 18 de março de 2013
capitulo 4
Senti-se estranha naquela manhã...alguma coisa estava fora da sua ordem do seu controle. Ela sempre dominou muito bem seus sentimentos mas não sabia o que acontecia. Parecia que o tempo havia parado e nem mesmo as árvores se mexiam lá fora.
"Preciso me concentrar no livro.Essa agora. Ler e ler e ler."
Quando entrou na sala de livros foi escorregando a mão pelas capas e vez por outra olhava mais atentamente até que (e sempre tem um até que) ouviu uma voz. Não, "a" voz. Alguem falava com madame e pelas risadas o assunto era bom. Pegou um livro que quase caiu e ficou parada ouvindo.
"Lock voce continua o mesmo fanfarrão!!!! E tornou-se um belo sedutor ãh?!"
"Ah ah minha querida madrinha sempre bondosa mas não, não sou tudo isso que a senhora pensa. Na verdade tenho me cansado um pouco dessa vida que tenho levado.. em função do meu trabalho...essas viagens estão se tornando menos atraentes a cada trilho de trem percorrido.."
"Mas seus trens são o grande sucesso em nossas aldeias, são belos confortáveis e lembro-me bem dos chás, ah! os chás e seus serviço completo de bandejas com iguarias exóticas...deu-me água na boca de lembrar de minha última viagem ao norte."
"Fartou-se com os pêssegos da Milanésia do Norte eu lembro bem..estão fora de época senão os teria trazido..mas trouxe-lhe uma caixa de abratás do Leste; estão verdes ainda mas creio que poderão ser abertos em cinco ou seis dias. Madrinha, ainda tomamos seu Frisante de vodka por aqui?"
"Mas claro! Fique aqui que já volto!"
Porem ficar parado ali não estava nos programa de Lock e saiu pela casa como se a tentar lembrar de cada peraltice feita ainda menino com a velha empregada a correr atrás com a vassoura..riu de si mesmo e quando viu entrou na pequena saleta de livros e riu de novo do susto que a moça levou!!!!!!!
"Preciso me concentrar no livro.Essa agora. Ler e ler e ler."
Quando entrou na sala de livros foi escorregando a mão pelas capas e vez por outra olhava mais atentamente até que (e sempre tem um até que) ouviu uma voz. Não, "a" voz. Alguem falava com madame e pelas risadas o assunto era bom. Pegou um livro que quase caiu e ficou parada ouvindo.
"Lock voce continua o mesmo fanfarrão!!!! E tornou-se um belo sedutor ãh?!"
"Ah ah minha querida madrinha sempre bondosa mas não, não sou tudo isso que a senhora pensa. Na verdade tenho me cansado um pouco dessa vida que tenho levado.. em função do meu trabalho...essas viagens estão se tornando menos atraentes a cada trilho de trem percorrido.."
"Mas seus trens são o grande sucesso em nossas aldeias, são belos confortáveis e lembro-me bem dos chás, ah! os chás e seus serviço completo de bandejas com iguarias exóticas...deu-me água na boca de lembrar de minha última viagem ao norte."
"Fartou-se com os pêssegos da Milanésia do Norte eu lembro bem..estão fora de época senão os teria trazido..mas trouxe-lhe uma caixa de abratás do Leste; estão verdes ainda mas creio que poderão ser abertos em cinco ou seis dias. Madrinha, ainda tomamos seu Frisante de vodka por aqui?"
"Mas claro! Fique aqui que já volto!"
Porem ficar parado ali não estava nos programa de Lock e saiu pela casa como se a tentar lembrar de cada peraltice feita ainda menino com a velha empregada a correr atrás com a vassoura..riu de si mesmo e quando viu entrou na pequena saleta de livros e riu de novo do susto que a moça levou!!!!!!!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A sala de leitura não era exatamente uma biblioteca mas a seleção de livros era bem interessante. Teriam um longo inverno sabia disso e se já achava que estavam isoladas em dias de sol calcula quando começasse chover e frios e. Bem, consolo que de certo modo diminuía sua ..ãh seria tristeza? Não. Era mais uma melancolia estranha e conformada. Tinha que estar ali então ali estaria. E na companhia de livros melhor ainda. Que fosse.
" Guriasss (era sempre assim que madame as chamava), nas próximas semanas faremos o que chamo de "O que entendí do que lí". Explico, explico: Darei a manhã de hoje para que conheçam nossos livros. Na hora de nosso almoço me mostrarão o que escolheram e o que esperam dessa leitura. Quando terminarem e aí não estipulo tempo, claro, quando terminarem veremos o quanto crescemos."
Falou tudo quase sem respirar, "não sei como consegue pensou Chamay, credo".
Uma manhã inteira com seus pensamentos livres. Lembrou-se de uma amiga que tivera ainda pequena e de quando brincavam de "psiu,calou, ficou", onde ganhava quem ficasse mais tempo sem falar..Certa vez sentadas na escada em frente a casa chegaram a dormir tamanho silêncio hehe. Ganhava sempre, Luap (esse era o nome da amiga) adorava conversar. E ela mesmo perguntava e ela mesmo respondia o que para Chamay era muito bom, lá tinha respostas ..Cada pergunta.."Como será seu marido?" "Onde irão morar?" Sua casa vai ter jardim? A minha vai ter um enorme só de cravos, adoro cravos mas minha vó diz que é flor de defunto, defunto? Vê se pode?"
E assim tagarelava Luap e agora pensou que se ela alí estivesse escolheria um belo romance daqueles de chorar (argh!) do primeiro ao último capítulo. Enquanto seus pensamentos voavam seus olhos preguiçosamente percorriam os títulos dos livros...Assuntos dos mais variados desde Ciências até ensaios de peças e Clássicos e , um livro chamou-lhe atenção: "Verdadeira Casa Dos Perfumes". Ora todos sabiam sobre a Casa de madame, a mais antiga "casa para moças" que se tinha notícias e claro não contando com o Convento Senhora de Deus mas esse era pras gurias que queriam seguir vida de religião.(Outro "argh!" mas com todo respeito claro). Pegou o livro.
(continua capítulo 4)
" Guriasss (era sempre assim que madame as chamava), nas próximas semanas faremos o que chamo de "O que entendí do que lí". Explico, explico: Darei a manhã de hoje para que conheçam nossos livros. Na hora de nosso almoço me mostrarão o que escolheram e o que esperam dessa leitura. Quando terminarem e aí não estipulo tempo, claro, quando terminarem veremos o quanto crescemos."
Falou tudo quase sem respirar, "não sei como consegue pensou Chamay, credo".
Uma manhã inteira com seus pensamentos livres. Lembrou-se de uma amiga que tivera ainda pequena e de quando brincavam de "psiu,calou, ficou", onde ganhava quem ficasse mais tempo sem falar..Certa vez sentadas na escada em frente a casa chegaram a dormir tamanho silêncio hehe. Ganhava sempre, Luap (esse era o nome da amiga) adorava conversar. E ela mesmo perguntava e ela mesmo respondia o que para Chamay era muito bom, lá tinha respostas ..Cada pergunta.."Como será seu marido?" "Onde irão morar?" Sua casa vai ter jardim? A minha vai ter um enorme só de cravos, adoro cravos mas minha vó diz que é flor de defunto, defunto? Vê se pode?"
E assim tagarelava Luap e agora pensou que se ela alí estivesse escolheria um belo romance daqueles de chorar (argh!) do primeiro ao último capítulo. Enquanto seus pensamentos voavam seus olhos preguiçosamente percorriam os títulos dos livros...Assuntos dos mais variados desde Ciências até ensaios de peças e Clássicos e , um livro chamou-lhe atenção: "Verdadeira Casa Dos Perfumes". Ora todos sabiam sobre a Casa de madame, a mais antiga "casa para moças" que se tinha notícias e claro não contando com o Convento Senhora de Deus mas esse era pras gurias que queriam seguir vida de religião.(Outro "argh!" mas com todo respeito claro). Pegou o livro.
(continua capítulo 4)
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Cap 2
Desceu amuada as escadas com a mão na testa ( assim talvez a cabeça não caísse de tanta dor) e encontrou Madame Jueves ja posicionada na mesa do café a espera de suas garotas. Tres na verdade. Alem de Chamay duas irmãs tambem moravam na casa mas haviam chegado bem antes, uns dois anos antes. Ross e Tuni. Lindas. Silenciosas. Diria-se serem o oposto de Madame. O que era muito bom só ela já enchia os ares.
"Venha venha querida sente-se aqui para o seu primeiro café na Casa dos Perfumes!!!" gritava Madame.
Santa animação. Sentou-se e de repente aquele cheiro de manteiga batida realmente lhe deu fome. Santina ( a grande cozinheira que cheirava a baunilha e cebola o tempo todo) estava trazendo o pão. Feito no forno simples sem muita história. Por um momento que não soube explicar sentiu-se em casa. Credo, devia ser fome isso e serviu-se de cafe com leite. Tuni contava devagarinho entre um gole do seu cafe sobre como era sua terra natal no norte do país, uma pequena cidade que vivia da plantação de pêssegos. Ross quase não falava e apenas concordava com a irmã mais velha. Ambas tinham olhos castanhos muito lindos mas Tuni parecia ser mais feliz. Madame incentivava as conversas formulando perguntas querendo que todos ali bem convivessem. Mas era exigente e metódica. Mais metódica do que exigente. Dizia sempre:
"Ser humano inteligente aprende de primeira".
(continua cap 3)
"Venha venha querida sente-se aqui para o seu primeiro café na Casa dos Perfumes!!!" gritava Madame.
Santa animação. Sentou-se e de repente aquele cheiro de manteiga batida realmente lhe deu fome. Santina ( a grande cozinheira que cheirava a baunilha e cebola o tempo todo) estava trazendo o pão. Feito no forno simples sem muita história. Por um momento que não soube explicar sentiu-se em casa. Credo, devia ser fome isso e serviu-se de cafe com leite. Tuni contava devagarinho entre um gole do seu cafe sobre como era sua terra natal no norte do país, uma pequena cidade que vivia da plantação de pêssegos. Ross quase não falava e apenas concordava com a irmã mais velha. Ambas tinham olhos castanhos muito lindos mas Tuni parecia ser mais feliz. Madame incentivava as conversas formulando perguntas querendo que todos ali bem convivessem. Mas era exigente e metódica. Mais metódica do que exigente. Dizia sempre:
"Ser humano inteligente aprende de primeira".
(continua cap 3)
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
CHAMAY
Como num pesadelo em que quero acordar e não consigo ,assim me senti naquela tarde quando acordei de fato nos aposentos de Madame Jueves. Meus sais, quantos quadros num mesmo lugar..sabia que ela adorava pintar mas aquilo tudo junto..bem estava mesmo com tanta dor de cabeça que se as paredes estivesses nuas teria tido o mesmo repúdio pelo lugar.Sabia que ali ficaria os próximos dois anos estudando. Madame..não era má pessoa antes pelo contrário.Alegre. Alegre demais. Muito alegre. O tempo todo. Tudo era feito por ela com tal entusiasmo que a vontade que eu tinha era de sair correndo,correndo estrada afora. Sim. Estrada. Não era uma "delícia" que essa professora resolvesse ter sua escola para moças há trocentos mil quilômetros de qualquer coisa que se mexesse? "É o melhor pra ti" disse minha madrinha. Acho que ela não queria ou achava que não saberia como me tratar agora que havia me tornado uma moça. Enquanto criança ( come, dorme, brinca,agora toma banho, bebe tudo, faça lição,fique quieta etc..) não teve dificuldades mas agora..esses tempos modernos. Moças podem dar trabalho. Mas na casa de Madame não há tempo para se "dar trabalho" tamanha lista de atividades desde a hora em que "animadamente" ela acorda! Ópera. Muita ópera. E a ópera não acaba nunca. Pode piorar? Sim! Madame ainda canta junto!(Chimay é a protagonista dessa história. Segue no capítulo 2).
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